Mais que leituras
Os melhores livros são aqueles que conseguem conectar-se diretamente à sua mente e transformá-la em um estúdio onde as palavras tornam-se imagens. O último que me transportou para um mundo diferente foi Nave Mundo, Non Stop no original, de Brian Aldiss. Já li outros livros dele, mas este continuava lá na estante da biblioteca, principalmente devido ao português da terrinha com que foi editado. Eu reluto em pegar livros assim, porque ler para mim é desligar de tudo e viver a história, e quando me deparo com palavras como écran, embreiagem, dezassete, é como dar uma topada e perder a concentração. Mas algumas vezes a mágica é tão forte que nem isto me atrapalha, como em Nave Mundo.

Começamos em um mundo primitivo, de caçadores que andam por matas fechadas com medo de gigantes. Notamos algo estranho, quando percebemos que esta floresta espalha-se por corredores e níveis, como se fosse uma construção. Aos poucos vamos descobrindo que aquilo é uma astronave multigeracional, onde os tripulantes em algum momento da sua longa viagem caíram na barbárie e formaram uma nova sociedade que não sabe mais quem é, ou onde está. E a cada nova geração tudo fica mais mítico.
Acreditamos que nós, leitores, sabemos a verdade, mas no final descobrimos que também estávamos enganados, pela incrível mente do escritor. Mas só lendo para sentir toda a emoção da história. O único ponto negativo é o final, que merecia umas 5 páginas a mais. Fiquei com a impressão de que o escritor largou o trabalho por um tempo, e de repente voltou a ele decidido a dar um fim na trama. Mas isso não estraga a experiência.
Assim como outros livros, este também daria um belo filme, com o A.I., inspirado em um conto seu. Por coincidência ele pertence a mesma geração que resultou em Blade Runner, Minority Report, Vingador do Futuro. Infelizmente, Duna, que é certamente um dos melhores se não o mais incrível magnífico espetacular chapante livro de ficção da história, ainda nos deve um bom filme para entrar nesta lista. Falo dele em outro post.
Leiam, leiam…
Ah, ia me esquecendo. Peguei, meio que por impulso e pressa, O Castelo dos Alquimistas, de Peter Gustav Bartschatt, mas não consegui ler. É um livro grosso, cara de romance, mas li páginas e páginas e parecia mais um roteiro de um filminho de aventuras, cheio de lances incríveis, sem erros, como estes filmes onde o herói não se suja nem escorrega e mata 10 bandidos fazendo piadinhas. A impressão é de que o autor vivencia suas fantasias de herói perfeito enquanto escreve. Bobo bobo.
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